A cidade de Témiscaming, em Quebec, está passando por uma crise econômica significativa após o fechamento de sua fábrica de papel, que é o principal empregador local. A decisão da RYAM, proprietária americana da fábrica, de paralisá-la indefinidamente foi motivada pelo fracasso nas negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos e pela imposição de tarifas elevadas pelo presidente Donald Trump.
Impacto na comunidade
Com a paralisação, cerca de 360 funcionários estão desempregados, dependendo de pagamentos parciais do governo. Moradores como Nadine Suley expressam preocupação, afirmando que a situação não é apenas sobre empregos, mas sobre a perda de um modo de vida. “Não é apenas um emprego. É a nossa casa”, disse Suley, que vê as tarifas como um ataque pessoal.
A crise já afetou o mercado imobiliário local, com a queda abrupta nos preços das propriedades e o aumento das placas de “Vende-se” nas casas. O temor é que a situação leve à saída de profissionais essenciais, como médicos e funcionários de supermercados, da cidade. Ronnie Raymond, um morador, alerta que, se a fábrica fechar, Témiscaming pode se tornar uma cidade fantasma.
Reações e mobilização
A economia canadense, em geral, tem se mantido estável, mas setores como o de papel e celulose enfrentam dificuldades severas devido às tarifas. Stéphane Lefebvre, líder sindical, critica a falta de atenção do governo para com o setor florestal, comparando a situação a uma guerra econômica em que o Canadá está mal preparado. Ele e outros moradores estão se mobilizando para tentar recomprar a fábrica, como ocorreu na década de 1970, quando a comunidade se uniu para salvar a empresa.
O prefeito Alain Gauthier não responsabiliza a RYAM pela paralisação, mas critica as tarifas americanas, chamando-as de “bomba” para a produção industrial canadense. Ele pede ao governo federal que implemente tarifas sobre produtos de papelão importados dos EUA, que atualmente entram no Canadá sem taxas.
Enquanto isso, o governo canadense anunciou um pacote de apoio ao setor florestal, mas muitos moradores ainda se sentem desamparados. Sébastien Lemire, deputado local, expressou preocupação com a falta de ação do governo para apoiar a cidade e o setor madeireiro de forma mais ampla.
Os trabalhadores de Témiscaming esperam que a situação melhore com as próximas eleições nos EUA, acreditando que isso pode pressionar Trump a reduzir as tarifas. A esperança é que uma solução seja encontrada rapidamente, antes que o inverno traga mais dificuldades, como danos aos equipamentos da fábrica paralisada.
Enquanto isso, Lefebvre permanece determinado a lutar pela reabertura da fábrica e pela recuperação da comunidade. “Estamos no jogo 7 agora. Vamos jogar até o apito final”, afirmou.
Fonte original: g1 Economia