Com as eleições definidas no Brasil e a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a semana no mercado de venture capital foi marcada por ajustes nas análises, sem grandes anúncios. O destaque ficou por conta da Kalshi, plataforma de mercados preditivos fundada pela brasileira Luana Lara, que anunciou a captação de US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos Série G, alcançando um valuation de US$ 40 bilhões.
Detalhes da captação da Kalshi
A rodada foi co-liderada pelas gestoras Sequoia Capital e Wellington Management, com a participação de Baillie Gifford, Morgan Stanley Investment Management, Coatue Management e Andreessen Horowitz. A Kalshi informou que possui mais de US$ 1 bilhão em receita anualizada proveniente de segmentos não esportivos, além de um volume anualizado de negociação superior a US$ 1 trilhão e mais de 30 milhões de contas criadas.
Segundo a empresa, ela representa mais de 75% do volume global de negociação em mercados de previsão. Em setembro, cerca de 500 entidades operaram na plataforma, que, sem contar os market makers, concentraram aproximadamente 25% do volume total. Os recursos captados serão utilizados para financiar infraestrutura, liquidez e produtos voltados ao público institucional, com o objetivo de competir com gigantes do setor de derivativos tradicionais.
Movimentos no Brasil
No Brasil, o Itaú Unibanco anunciou a aquisição da NeoSpace, uma startup de modelos fundacionais de dados, por R$ 2,925 bilhões. A conclusão da operação depende da aprovação do CADE e do Banco Central, além de outras condições contratuais. A NeoSpace, criada em 2024, já contava com a participação do Itaú, que havia investido US$ 15 milhões por 15% da empresa em uma rodada anterior.
A parceria entre as duas empresas, que já dura quase dois anos, resultou no desenvolvimento de soluções de IA generativa aplicadas em crédito, gestão financeira e prevenção a fraudes. A NeoSpace continuará operando de forma autônoma, sob a liderança de Bruno Pierobon, que foi cofundador da Zup, adquirida pelo Itaú em 2019.
Além disso, o Patria High Growth, braço de venture capital do Patria Investimentos, fez um novo aporte de mais de R$ 20 milhões na Klubi, fintech autorizada pelo Banco Central a operar como administradora de consórcios. Com isso, o total investido na empresa desde 2021 ultrapassa R$ 60 milhões.
A Klubi reporta ter originado mais de R$ 3 bilhões em crédito nos últimos 12 meses, com um crescimento médio superior a 100% ao ano nos últimos três anos. A venda é realizada de forma digital, com a ajuda de agentes de IA, e parte da distribuição é feita por meio de parcerias white label com empresas como Vivo e OLX.
Fonte original: Bloomberg Línea