A recente alta do açúcar no mercado internacional, com preços próximos a US$ 0,21 por libra-peso, pode não resultar em lucros significativos para as usinas brasileiras. Werner Roger, sócio-fundador e CIO da Trígono Capital, destaca que, além de problemas climáticos que podem reduzir a oferta global, empresas que fixaram preços antecipadamente podem não se beneficiar da valorização da commodity.
Desafios na produção e colheita
Na Bolsa de Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 registrou uma queda de 0,62%, cotado a US$ 0,2098 por libra-peso. Em 7 de outubro, o preço havia alcançado US$ 0,2124, o maior em 19 meses. Roger expressa preocupação com a safra brasileira, citando o excesso de chuvas como um fator crítico que dificulta a colheita e pode comprometer a qualidade da cana-de-açúcar.
“A situação vai piorando, porque continua muito úmido e as máquinas não conseguem colher”, afirma Roger. Ele alerta que as perdas podem se estender além da safra atual, afetando o ciclo seguinte devido à cana que permanece no campo sem aproveitamento adequado.
Perspectivas globais e impacto no mercado
Roger menciona que a produção de açúcar no Brasil pode sofrer uma redução de cerca de 4,5 milhões de toneladas, embora essa seja uma estimativa de risco e não uma previsão consolidada. A situação se torna ainda mais preocupante com as dificuldades enfrentadas por outros grandes produtores, como Índia e Tailândia, que também lidam com problemas climáticos.
As projeções de aumento na produção global e nos estoques podem precisar de revisão, segundo Roger. “Todo mundo esperava aumento da produção, então produção maior, aumento de estoque. Todo mundo errou”, critica, referindo-se às estimativas que não consideraram adequadamente os riscos climáticos.
Com a possibilidade de um déficit significativo de açúcar no próximo ano, a dinâmica do mercado pode ser alterada. Roger observa que a destinação da cana pode mudar, favorecendo a produção de etanol, o que reduziria a disponibilidade de açúcar. O aumento do consumo de etanol e a valorização do petróleo também podem influenciar essa dinâmica.
Além disso, as usinas que fixaram preços de produção entre US$ 0,16 e US$ 0,18 por libra-peso podem não aproveitar plenamente a valorização atual. “Não é um alívio tão bom quanto poderia ser, especialmente para quem fez hedge muito cedo e muito grande, com um preço muito baixo”, conclui Roger, ressaltando que a estratégia de hedge pode limitar os ganhos em um cenário de valorização.
Fonte original: Money Times