Santander Brasil enfrenta desafios para retomar rentabilidade, dizem analistas

O Santander Brasil (SANB11) deve enfrentar um período prolongado até a recuperação de sua rentabilidade, segundo analistas. A alta da taxa Selic e o risco de um crescimento econômico mais lento estão pressionando as receitas e o crédito da instituição.

No balanço do terceiro trimestre, o banco mostrou que continua vendendo carteiras e reduzindo sua exposição à baixa renda como forma de proteção. Em contraste, o Bradesco (BBDC4), seu principal concorrente, já está compensando a inadimplência com outras fontes de receita.

Expectativas de resultados e recomendações

Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual (BPAC11), destacaram que a situação atual é desfavorável e que as previsões podem ser revistas para baixo, especialmente após a reprecificação dos ativos brasileiros que ocorreu após a reeleição de Lula. De acordo com eles, o resultado do Santander reflete um cenário macroeconômico desafiador para o crédito, com custos de risco ainda elevados.

Os analistas do Itaú BBA, Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, compartilham uma visão semelhante, mantendo a recomendação neutra e um preço-alvo de R$ 29. O BB Investimentos também cortou seu preço-alvo de R$ 31,60 para R$ 29,50, mantendo a recomendação neutra.

Desempenho financeiro e comparação com concorrentes

O lucro do Santander Brasil foi de R$ 2,9 bilhões, beneficiado por um efeito tributário favorável, mas antes da tributação, o resultado foi de R$ 2,64 bilhões, 30% abaixo do esperado pelo BTG. A rentabilidade sobre o patrimônio caiu para 11,6%, distante do custo de capital de 16% utilizado pelo BTG para avaliar a ação.

A receita do banco está atrasada, com o spread com clientes caindo para 9,70%, quase um ponto percentual abaixo do ano anterior. O Santander tem trocado operações de maior risco por clientes de menor risco e margem, resultando em uma queda no crédito consignado e pessoal.

Em comparação, o lucro do Santander caiu 28% em um ano, enquanto o Bradesco viu um aumento de 14,6% em seu lucro, com um retorno de 15,6%. Na tesouraria, o Bradesco teve um lucro de R$ 875 milhões, enquanto o Santander Brasil registrou uma perda de R$ 895 milhões.

Apesar da inadimplência acima de 90 dias ser menor no Santander (3,4%) em comparação ao Bradesco (4,6%), a pressão na baixa renda e no agronegócio está aumentando, conforme apontado pelo BTG. O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, comentou que a redução dos juros não terá um impacto imediato nos balanços dos bancos.

A reeleição de Lula também afetou a percepção dos investidores em relação à oferta de troca de ações do Banco Santander. A ação do Santander Brasil caiu cerca de 7% na semana encerrada em 27 de outubro, enquanto a do Bradesco caiu 24%. A relação de troca atrelou a filial às ações da matriz, aumentando a possibilidade de adesão à oferta.

O BB Investimentos prevê que a conclusão da oferta de permuta ocorra no primeiro semestre de 2027. O CEO do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, mencionou que a recuperação gradual da rentabilidade é o próximo passo, embora o BTG aponte que ele ainda está no início de sua gestão em um cenário desafiador.

Fonte original: Bloomberg Línea

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