Tesouro IPCA+ registra alta significativa após reeleição de Lula

Os títulos do Tesouro IPCA+ apresentaram nesta segunda-feira (26) a segunda maior alta diária de taxas desde o início da série histórica em 2005, impulsionados pelo IPCA+ 2032, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com essa movimentação, todos os títulos Tesouro IPCA+ disponíveis no Tesouro Direto passaram a oferecer juro real superior a 7,6% ao ano.

Movimentação das taxas

O Tesouro IPCA+ 2032 viu sua taxa subir de IPCA + 6,72% no fechamento da última sexta-feira (23) para IPCA + 8,10% na abertura das negociações, às 12h13. Durante o mesmo período, o Tesouro IPCA+ 2050 aumentou de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,64%, atingindo a maior taxa da série do título, que começou em fevereiro de 2025.

De acordo com a série histórica, a alta do IPCA+ 2032 é superada apenas pelos 162 pontos-base registrados em 12 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. Nos vencimentos mais longos, a alta desta segunda-feira, que variou entre 113 e 118 pontos, ficou abaixo da registrada naquele dia.

A alta das taxas reverte a queda de juros observada após o primeiro turno das eleições, quando o mercado passou a prever a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). O IPCA+ 2050 agora está acima dos IPCA + 7,06% registrados na abertura de 2 de outubro, último pregão antes da votação.

Na marcação a mercado, o preço do IPCA+ 2050 caiu 23,6% em relação à sexta-feira, enquanto o do IPCA+ 2032 recuou 7,1%. Essa queda representa prejuízo apenas para quem vende antes do vencimento, já que os investidores que mantêm os títulos até o fim recebem a rentabilidade contratada na compra.

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, comentou que o mercado já havia precificado uma mudança de governo e agora exige mais para financiar o país. “A pancada principal é no juro futuro porque os investidores olham para o Brasil e não confiam”, afirmou.

Na carteira de referência da Genial Investimentos para o cenário de reeleição, a exposição a IPCA+ está concentrada em vencimentos curtos, pois esses títulos protegem “o poder de compra sem carregar o prêmio fiscal, que tende a abrir a ponta longa”.

Fonte original: InfoMoney

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