Desde a estabilização econômica em 1994, o Brasil tem lidado com taxas de juros elevadas. A âncora cambial foi crucial para controlar a inflação, mas exigiu uma taxa de juros alta para evitar a fuga de capitais e a desvalorização da moeda, que poderiam reverter os avanços no controle inflacionário.
A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 impulsionou o crescimento econômico brasileiro, resultando em um aumento significativo na demanda por commodities e um boom nas exportações. Isso permitiu ao Brasil acumular reservas internacionais expressivas, superando os US$ 300 bilhões.
Com a troca de governo, houve uma mudança na diretoria do Banco Central e na política fiscal, com a aprovação do teto dos gastos, que conseguiu reduzir a taxa de juros pela metade em um curto período. No entanto, a nova administração em 2022 trouxe de volta uma política fiscal expansionista, resultando em déficits primários elevados e um aumento na relação dívida pública/PIB, que deve subir de 71,75% para 83,3% até 2026.
Ao contrário do que ocorreu entre 2014 e 2016, a independência do Banco Central permitiu a adoção de uma política monetária mais contracionista, refletindo a necessidade de controlar a inflação em um cenário de instabilidade fiscal.
Fonte original: O Estado de S. Paulo,