O mercado financeiro registrou movimentos significativos nesta segunda-feira, refletindo as expectativas em torno da reeleição de Lula. O dólar comercial alcançou R$ 5,45, marcando uma alta de 9,63%, enquanto a bolsa de valores caiu 15%. Essa volatilidade levou ao acionamento do mecanismo conhecido como circuit breaker por três vezes.
Impactos nas ações e setores
Entre as ações que sofreram perdas, às 13h, as da Vamos recuavam 54%, seguidas pelo Magazine Luiza com queda de 53% e C&A com 47,11%. A expectativa de juros elevados por mais tempo, devido ao aumento do dólar e seu impacto na inflação, contribuiu para essas quedas. No setor bancário, o BTG viu suas ações caírem 33%, enquanto Banco do Brasil, Bradesco e Unibanco registraram quedas de 29%, 23% e 15%, respectivamente.
Por outro lado, algumas empresas se destacaram com altas. As ações da Suzano e da Embraer subiram 8%, e as da Vale avançaram 5%. Essas companhias, com forte exposição ao mercado externo, podem se beneficiar da valorização do dólar, que aumenta o valor das receitas em reais.
O cenário atual sugere um período de alta volatilidade, com a expectativa de que a estabilização do mercado dependa de sinais claros do governo sobre a política econômica. Durante a campanha, os candidatos não apresentaram detalhes sobre suas estratégias econômicas e fiscais, gerando incertezas.
Enquanto parte do mercado acreditava que Flávio Bolsonaro adotaria uma política de corte de gastos, Lula já tomou decisões que aumentam as despesas futuras, mas ainda não esclareceu como pretende financiá-las. A equipe econômica, no início da campanha, defendia um ajuste fiscal gradual, mas significativo.
Outro aspecto que gera incerteza é a reforma tributária, que envolve alíquotas de novos tributos e do Imposto Seletivo. O governo precisará esclarecer seus planos para reduzir as dúvidas entre investidores, economistas e empresários.
Fonte original: O GLOBO