Mat Velloso alerta sobre a colonização digital do Brasil e desafios da IA

O Brasil enfrenta um sério risco de ficar para trás na corrida global por inteligência artificial, sendo descrito por Mat Velloso, atual Chief Product Officer da Docker, como um país que está sendo “colonizado digitalmente”. Velloso, que deixou a Meta em fevereiro deste ano para se dedicar mais ao Brasil, fez essa avaliação durante uma entrevista à Bloomberg Línea.

Com uma carreira notável no Vale do Silício, Velloso, que nasceu em São Paulo e cresceu em Belo Horizonte, abandonou um negócio próprio para se mudar para a Nova Zelândia. Ele trabalhou por mais de 12 anos na Microsoft, onde foi conselheiro do CEO Satya Nadella, e também atuou no Google DeepMind e na Meta, focando em inteligência artificial.

Desafios e oportunidades para o Brasil

Durante a entrevista, Velloso destacou as falhas estratégicas do Brasil, mencionando a desorientação regulatória sobre IA e o risco de desemprego em massa. Ele participou do evento Brazil at Silicon Valley, que teve como objetivo aproximar startups, corporações e o poder público.

Um dos pontos críticos levantados por Velloso é que mais da metade dos dados do Brasil são processados em data centers estrangeiros, o que compromete a soberania digital do país. “Se um país estrangeiro decidir fechar a torneira da nossa inteligência, nós paramos de funcionar”, alertou.

Ele enfatizou a necessidade de o Brasil ter controle sobre seus dados e sistemas críticos, além de aplicar inteligência em questões sociais como saúde e educação. Para isso, Velloso argumenta que é essencial ter energia barata e abundante para suportar a infraestrutura necessária.

Regulamentação e investimentos em energia

Velloso acredita que iniciativas como o programa Redata, que visa a redução de impostos, podem ajudar, mas ressalta que o Brasil ainda está muito atrás de países como a China, que investe massivamente em energia. “Estamos colocando apenas 9 gigawatts, enquanto a China coloca 540 gigawatts por ano”, comparou.

Ele também criticou a falta de uma regulamentação clara e eficaz para a IA, mencionando que o foco atual em questões como deepfake pode desviar a atenção de problemas mais graves, como a manipulação de dados em eleições. “Precisamos ter um senso de prioridade”, afirmou.

Velloso expressou otimismo em relação ao potencial do Brasil, destacando a criatividade e a inovação das startups brasileiras. Ele acredita que a democratização da tecnologia oferece uma oportunidade única para o país, que pode acelerar sua inovação e desenvolvimento tecnológico.

Por fim, Velloso ressaltou a importância de um diálogo mais profundo sobre tecnologia e IA entre os líderes do país, afirmando que muitos ainda não compreendem a urgência e a magnitude dos desafios que o Brasil enfrenta nesse novo cenário global.

Fonte original: Bloomberg Línea

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