Herbário da Ueap preserva 10 mil espécies da flora do Amapá

O Herbário Dra. Elsie Franklin Guimarães, vinculado à Universidade do Estado do Amapá (Ueap), localizado em Macapá, abriga mais de 10 mil amostras de plantas coletadas em várias partes do estado. O acervo, que começou a ser formado em 2012, tem como objetivo apoiar pesquisas sobre a biodiversidade local e monitorar os efeitos das mudanças ambientais.

Processo de conservação e importância científica

Embora o espaço possa parecer apenas uma sala com caixas de vegetais secos, ele funciona como um arquivo vivo da natureza. O curador do herbário, Luciano Araújo Pereira, explica que o trabalho inicia-se nas expedições às florestas do Amapá, onde as plantas são descritas e registradas. “Trazemos para a estufa para secar, porque elas não podem ter água, senão ganham fungo”, detalha.

Após a coleta, as amostras passam por um rigoroso processo de preparação, recebendo etiquetas com identificação científica e dados do local de coleta. As plantas são desidratadas em estufas, o que garante sua conservação e permite que pesquisadores de todo o mundo possam consultá-las no futuro.

Luciano Pereira destaca que, quando bem secas, as plantas podem durar de 300 a 500 anos. “É no herbário que a gente faz a catalogação para dar o número de registro, como se fosse o número de identidade da planta”, afirma.

O acervo do herbário representa a memória da vegetação do Amapá, permitindo que pesquisadores analisem se uma espécie desapareceu ou se houve alterações ao longo do tempo. Isso é crucial para comparar o cenário atual da cobertura vegetal com o passado.

Além disso, a coleção é fundamental para estudos sobre os impactos das mudanças climáticas e da ação humana na Amazônia. Pereira ressalta que, com o aumento do calor e o desmatamento, muitas espécies não conseguem se adaptar rapidamente ao novo ambiente, tornando esses estudos essenciais para a preservação das plantas.

Fonte original: G1

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