O salão da churrascaria Fogo de Chão, localizado na zona sul de São Paulo, estava movimentado no almoço do primeiro dia útil de outubro, mas o fluxo de clientes não se compara ao de anos anteriores. O formato tradicional de rodízio de carnes, que a marca ajudou a popularizar globalmente, agora convive com novas opções, como pratos à la carte e hambúrgueres.
“Os hábitos mudaram um pouco, e precisamos nos adaptar”, afirmou Paulo Antunes, country manager e diretor-geral da rede no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea. Ele destacou que a intenção não é desfigurar a essência da marca, mas sim reverenciar suas origens enquanto se introduzem novas experiências.
Historicamente, os clientes da Fogo de Chão tinham como única opção o rodízio completo, mas atualmente a rede oferece uma variedade de serviços, incluindo rodízio de um único corte e pratos com carnes especiais, como wagyu e dry aged. “O rodízio ainda é o principal, mas cerca de 20% dos clientes buscam essas novas experiências”, disse Antunes.
Estratégia de Expansão e Adaptação
A mudança no modelo de negócios é parte de uma estratégia de adaptação às novas demandas do mercado. Antunes observou que a cultura das churrascarias no Brasil evoluiu, com consumidores buscando mais qualidade. Além disso, o movimento wellness e o uso de medicamentos que reduzem o apetite têm impactado o consumo.
Antunes acredita que a flexibilidade na experiência do cliente pode atrair novos públicos. A Fogo de Chão, controlada pela Bain Capital, planeja um crescimento acelerado, com a expectativa de alcançar um faturamento anual de US$ 1 bilhão nos próximos 12 a 24 meses. A rede está próxima de abrir seu 100º restaurante nos Estados Unidos e planeja abrir de 10 a 20 novas unidades por ano no país, além de uma a duas no Brasil.
O foco da expansão inclui reforçar a presença em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com planos de retornar a Belo Horizonte. Antunes atribui parte desse crescimento ao suporte da Bain Capital, que tem sido um motor importante para a expansão da rede.
Desafios e Oportunidades no Brasil
No Brasil, a rede experimentou um crescimento de dois dígitos nas mesmas lojas de 2023 para 2024, mas a operação local deve enfrentar um recuo em 2026. Antunes mencionou que a desaceleração é resultado de fatores como a expectativa de continuidade da política econômica, um aumento nas falências e a inflação percebida pela classe média.
Apesar dos desafios, Antunes se mostra otimista em relação ao setor de restaurantes, que considera um termômetro da economia. A Fogo de Chão, que começou em Porto Alegre em 1979 e chegou aos EUA em 1997, agora conta com 128 lojas, sendo a maioria nos Estados Unidos.
Antunes, que assumiu a operação brasileira em julho de 2019, destacou que a pandemia trouxe desafios, mas também oportunidades para reinventar a empresa. A rede investiu em tecnologia e na formação de sua equipe, utilizando inteligência artificial para otimizar a gestão e melhorar a experiência do cliente.
Os novos formatos de serviço também permitem uma segmentação do gasto, com tickets médios variando conforme a escolha do cliente. A Fogo de Chão continua a se adaptar às preferências dos consumidores, mantendo sua essência enquanto busca inovação.
Fonte original: Bloomberg Línea