O dólar teve um aumento significativo nesta segunda-feira, 26, atingindo a cotação intradiária de R$ 5,60, o que representa uma alta de 12,3% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Perto das 12h, a moeda estava sendo negociada a R$ 5,46. Esse movimento é notável, especialmente considerando um levantamento da Elos Ayta que aponta as maiores altas diárias do dólar Ptax desde o início do Plano Real.
Histórico de Altas do Dólar
O estudo da Elos Ayta revela que oito das dez maiores valorizações do dólar ocorreram durante as crises cambial de 1999 e financeira de 2008. A moeda começou a subir acentuadamente no primeiro pregão após a reeleição de Lula, levando a Bolsa a acionar o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações.
A maior alta diária registrada na série foi de 11,10% em 15 de janeiro de 1999, quando o Brasil enfrentava uma grave crise econômica. Naquele mês, o dólar também subiu em outras datas, refletindo a pressão sobre o regime cambial que levou à adoção do câmbio flutuante.
A crise financeira global de 2008 também aparece entre as maiores altas, com o colapso do banco Lehman Brothers aumentando a desconfiança nos mercados e levando investidores a buscar segurança no dólar. O levantamento mostra que o dólar avançou 9,33% em um dia de outubro de 2008, entre outras altas significativas.
Além disso, outras datas marcantes incluem 18 de maio de 2017, com uma alta de 8,79% em meio a uma crise política, e 16 de agosto de 2007, com uma valorização de 5,39% durante a crise do subprime nos Estados Unidos.
Embora a alta de 12,3% observada nesta segunda-feira seja intradiária, a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, destaca que a intensidade da disparada é comparável a períodos de crise, mas as causas são diferentes. Ela aponta que o mercado está ajustando suas expectativas após a reeleição de Lula e que a trajetória das contas públicas será um fator crucial a ser monitorado.
Segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o novo governo enfrenta um problema fiscal sério, e a confiança do mercado pode não ser facilmente conquistada. Ele sugere que o dólar pode permanecer em torno de R$ 5,50 por um período prolongado.
Fonte original: Forbes Brasil