Dívida pública dos EUA atinge US$ 1 trilhão em juros e gera preocupações econômicas

Os gastos do governo dos Estados Unidos com juros da dívida pública atingiram um novo recorde no ano fiscal de 2026, totalizando US$ 1,05 trilhão. Esse valor representa um aumento de mais de 8% em relação aos US$ 970 bilhões registrados em 2025, conforme dados do Departamento do Tesouro divulgados em 16 de outubro.

A Fundação Peter G. Peterson estima que os gastos com juros alcancem 3,2% do produto interno bruto (PIB), superando o recorde anterior de 1991. O crescimento da dívida, que ultrapassa US$ 32 trilhões, e o aumento das taxas de juros, que passaram de 1,47% para 3,52% nos últimos cinco anos, são fatores que contribuem para essa situação.

Impactos e previsões

As taxas atuais de mercado são ainda mais elevadas, com o índice de títulos do Tesouro americano da Bloomberg em torno de 5%. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, implementou medidas extraordinárias para conter essa tendência, embora economistas acreditem que o país ainda não esteja à beira de uma crise. Louise Sheiner, da Brookings Institution, afirmou que a situação é uma “erosão lenta” da capacidade fiscal.

Gennadiy Goldberg, da TD Securities, destacou que o crescimento nominal do PIB, que avançou 6,3% no segundo trimestre em relação ao ano anterior, ajuda a mitigar preocupações. No entanto, Phillip Swagel, do Escritório de Orçamento do Congresso, alertou que a deterioração das contas públicas torna o país mais vulnerável a choques econômicos.

Despesas e comparações históricas

A despesa com juros é agora uma das três maiores rubricas do orçamento federal, atrás apenas da Previdência Social e do Medicare. Desde 2022, esses custos mais que dobraram. Historicamente, quando os custos de juros se aproximaram dos níveis atuais, houve mobilização política para enfrentar o problema, como ocorreu durante os mandatos de George H. W. Bush e Bill Clinton.

Atualmente, especialistas expressam ceticismo quanto à expectativa de que a inteligência artificial possa impulsionar o crescimento econômico suficiente para reduzir a relação entre dívida e PIB. Brett Loper, da Fundação Peterson, enfatizou que o problema está se agravando e que é necessário agir antes que uma catástrofe ocorra.

O aumento de US$ 81,4 bilhões nos pagamentos de juros neste ano pode parecer modesto, mas se as taxas continuarem a subir, a situação pode se agravar. Uma elevação de 1 ponto percentual nas taxas de todos os prazos dos títulos poderia aumentar os gastos com juros em US$ 310 bilhões em 2027.

Embora alguns especialistas, como Karen Dynan, da Universidade Harvard, afirmem que uma crise fiscal não é iminente, ela alerta que a elevada dívida pública pode levar a uma “bola de neve” no endividamento, gerando pressão por medidas corretivas.

Fonte original: InvestNews

Compartilhe