Desajuste fiscal em países ricos gera riscos para a economia global, aponta FMI

As dificuldades fiscais que impactam a dívida pública não são exclusivas do Brasil. Segundo as últimas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), as economias desenvolvidas devem registrar um déficit nominal de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, um aumento em relação aos 4,4% previstos para 2025. Se essa previsão se concretizar, será o pior resultado desde a pandemia, quando o déficit alcançou 7,3% do PIB.

Crescimento da dívida pública

O FMI também prevê que as dívidas públicas continuarão a crescer, alcançando 108% do PIB neste ano e 115% em 2031 nas economias avançadas. Globalmente, a dívida está em 95% do PIB e deve subir para 101,5% até 2031. No Brasil, a dívida já ultrapassa 90% do PIB, evidenciando um desajuste fiscal que persiste anos após a pandemia.

Os títulos da dívida de países desenvolvidos têm atingido recordes, com os papéis do Tesouro americano apresentando rendimentos mais altos desde o início do século. No Reino Unido, incertezas sobre gastos e inflação elevaram os títulos ao maior nível desde 1998, enquanto na França, preocupações políticas impulsionaram os juros dos títulos a patamares não vistos em quase 25 anos. Essa situação coloca os países ricos em risco de uma espiral de endividamento semelhante à do Brasil.

Diversos fatores contribuem para o desajuste fiscal, incluindo o aumento do tamanho do Estado e a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços dos combustíveis. O barril de petróleo permanece acima de US$ 100, e, embora o FMI acredite que a situação pode se normalizar até 2027, a incerteza persiste. No pior cenário, o preço do petróleo pode ultrapassar US$ 130, agravando ainda mais a crise.

Apesar das dificuldades, o FMI revisou sua previsão de crescimento do PIB global de 3% para 3,1% em 2026, enquanto para o Brasil a projeção caiu de 2,4% para 2,2%. O fundo destaca três riscos ao crescimento: a reversão da expansão da inteligência artificial, a alta da inflação e o desajuste fiscal, que pode provocar turbulências nos mercados financeiros.

Frente a esse cenário, o FMI enfatiza a necessidade urgente de ajustes nas contas públicas das maiores economias do mundo. “Um foco renovado na reconstrução do espaço fiscal é urgente, diante da dívida elevada e dos custos de captação mais altos”, alerta o fundo. No Brasil, onde a dívida continua a crescer, os candidatos do segundo turno devem considerar essas advertências com atenção.

Fonte original: O GLOBO

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