BTG Pactual analisa impacto da nova equipe econômica de Lula na bolsa

A definição de quem irá liderar a economia no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é vista como um fator determinante para o futuro da bolsa brasileira, segundo análise do BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimentos da América Latina. O relatório, divulgado nesta segunda-feira (26), aponta que a falta de nomes confiáveis e de medidas concretas para as contas públicas pode levar a uma alta nos juros longos e à desvalorização do real.

Expectativas de queda na bolsa e no real

No cenário mais pessimista traçado pelo BTG, o Ibovespa poderia cair até 170 mil pontos, um nível que representaria um desvio-padrão abaixo da média histórica de preço sobre lucro, excluindo as ações da Petrobras e da Vale. Além disso, o real pode se desvalorizar entre 10% e 15%, resultando em uma perda de cerca de 30% quando medido em dólar.

A taxa real de longo prazo, que desconta a inflação, estava em 6,7% e deve ultrapassar rapidamente 8%, permanecendo nesse patamar até que o governo apresente sua política fiscal para os próximos quatro anos. Os analistas do BTG afirmam que “sem uma equipe econômica crível e medidas concretas para enfrentar a situação fiscal, os juros reais de longo prazo devem subir de forma relevante e permanecer altos”.

Impacto nas expectativas do Banco Central

A incerteza também afeta as expectativas em relação ao Banco Central. O boletim Focus, que reúne previsões de economistas, indica que a Selic deve ficar em 12% até o final de 2027, o que representa um corte de 1,75 ponto percentual. No entanto, o BTG alerta que essa trajetória pode ser considerada agressiva, dependendo da configuração fiscal do novo governo.

Os analistas destacam que “somente o anúncio de uma equipe econômica crível e sinais de disciplina fiscal poderiam criar condições para juros mais baixos”. A análise do BTG também menciona que a evolução das expectativas após as eleições pode influenciar a duração do movimento da bolsa, citando os exemplos de 2018 e 2022.

Em 2018, a vitória de Jair Bolsonaro foi seguida por uma queda nos juros longos e uma alta de 26,2% no Ibovespa em 12 meses. Em contraste, em 2022, com a reeleição de Lula, o índice teve uma queda de 1,8% no mesmo período, refletindo um cenário mais complicado para setores da economia interna.

O BTG também observa que, no primeiro mês após o segundo turno de 2022, os índices de consumo, financeiro e imobiliário da B3 caíram significativamente, enquanto o setor de materiais básicos teve um desempenho positivo. Apenas 27,5% das ações acompanhadas pelo banco tiveram ganhos nesse intervalo, em comparação com 66,7% em 2018.

Por fim, a montagem da nova equipe econômica deverá considerar o apoio do Congresso, onde a coalizão de Flávio Bolsonaro detém uma quantidade significativa de cadeiras, o que exigirá que o governo busque apoio no centro para aprovar sua agenda fiscal.

Fonte original: Bloomberg Línea

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