O Brasil está se preparando para sua primeira emissão de títulos de dívida na China, conhecidos como Panda Bonds, com previsão para ocorrer após o segundo turno das eleições, possivelmente ainda em outubro. A emissão pode alcançar até 5 bilhões de yuans, equivalente a R$ 3,76 bilhões.
Essa emissão pode servir como um referencial de custos e taxas de juros para empresas brasileiras que buscam captar recursos na China. A Vale, por exemplo, já solicitou registro à Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China (NAFMII) para um programa de títulos de dívida em yuans, com um limite de até RMB 10 bilhões, ou R$ 7,568 bilhões.
Desafios do mercado chinês
O processo para a emissão é complexo, pois o mercado chinês não é tão fluido quanto o norte-americano. A captação ocorre no mercado de dívida local, seguindo padrões de divulgação de balanço e classificadoras de risco locais. Os compradores desses títulos são, em sua maioria, instituições financeiras que alocam os papéis em gestoras de investimento ou em suas próprias tesourarias.
A Suzano foi a primeira empresa não financeira das Américas a acessar o mercado de Panda Bonds, em 2024, captando 2,6 bilhões de yuans, o que na época equivalia a US$ 385 milhões. Os títulos da Suzano têm vencimento em 2027. O mercado de Panda Bonds tem apresentado um crescimento significativo, com aumento de 30% ao ano.
Fonte original: O Estado de S. Paulo,