O Banco Central (BC) está considerando a adoção de novas medidas para regular o crédito sem garantia, especialmente voltadas para clientes que possuem renda de até três vezes o salário mínimo. Essa faixa de renda é vista como a mais vulnerável ao comprometimento financeiro, conforme análise do Bradesco BBI.
De acordo com os analistas liderados por Marcelo Mizrahi, esse grupo representa entre 36% e 37% das carteiras de cartões de crédito e empréstimos pessoais não consignados no sistema bancário. No caso do Nubank, essa porcentagem ultrapassa 50%.
Proposta de Limitação de Crédito
O BC estaria avaliando mudanças regulatórias que aumentariam a responsabilidade dos bancos na concessão de crédito, exigindo maior transparência e estabelecendo limites de crédito baseados na renda dos clientes. Essa iniciativa surge em resposta à preocupação crescente com o endividamento das famílias brasileiras.
O Bradesco BBI menciona que o modelo de Singapura poderia servir de referência. Nesse país, os limites de crédito sem garantia são definidos com base na renda anual do cliente. Por exemplo, para aqueles com renda de até 30 mil dólares de Singapura, o limite de crédito é equivalente a dois meses de salário.
Além disso, para rendas entre 30 mil e 120 mil dólares, o teto sobe para quatro meses de salário. Acima desse patamar, não há limites regulatórios. O Bradesco sugere que uma adaptação desse modelo no Brasil poderia integrar os limites de cartões de crédito e empréstimos pessoais, aplicando um teto à soma total do crédito disponível para cada cliente.
Entretanto, o banco ressalta que uma análise mais precisa dos impactos dessas medidas requer dados adicionais sobre o endividamento total por pessoa. Embora uma parte significativa das carteiras esteja concentrada nas faixas de menor renda, os valores médios das operações podem estar abaixo dos limites propostos com base no salário.
Fonte original: InfoMoney