O projeto de pesquisa brasileira nos módulos Criosfera 1 e Criosfera 2 na Antártica foi cancelado após tentativas frustradas de obter recursos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia (FNDCT). A expedição prevista para o verão de 2026/2027 não ocorrerá, levando ao desligamento do Criosfera 2 em novembro, devido ao esgotamento das baterias.
Os módulos, que operam de forma automatizada, necessitam de substituição das baterias a cada dois anos. A última missão do Criosfera 2 foi realizada durante sua instalação no verão de 2022/23. O glaciologista Jefferson Cardia Simões, da UFRGS, destaca que a falta de pesquisas na Antártica diminui a participação do Brasil no Tratado Antártico, limitando a pesquisa ao oceano e à Península Antártica.
Impactos da interrupção das pesquisas
A interrupção das atividades nos módulos representa o fim das pesquisas brasileiras no interior do continente antártico, resultando na suspensão da coleta de dados meteorológicos e de outros parâmetros ambientais importantes. Isso inclui medições de ozônio atmosférico, radiação UVA e UVB, e detecção de raios cósmicos, entre outros.
A ausência de novos equipamentos no Criosfera 2 compromete estudos que são fundamentais para entender eventos climáticos extremos na América do Sul. A Antártica, por sua vez, é uma fonte de ar frio que influencia as chuvas em regiões como o Rio Grande do Sul, especialmente em períodos críticos como setembro e novembro de 2023.
Os módulos Criosfera são sustentados por geradores eólicos e solares e requerem manutenção durante o verão antártico. Eles fazem parte de uma rede de monitoramento meteorológico que integra dados disponíveis para a comunidade científica. Criosfera 1, localizado a 2,5 mil quilômetros da Estação Comandante Ferraz, é o laboratório científico mais ao sul da América Latina, com temperaturas médias anuais de -33 °C.
Fonte original: Zero Hora