As eleições no Brasil têm um impacto direto e significativo sobre os mercados financeiros, como demonstrado nas movimentações do dólar e da bolsa. Antes mesmo do último domingo (25), quando os brasileiros foram às urnas, as oscilações já eram visíveis, com o mercado reagindo a declarações de candidatos e pesquisas eleitorais ao longo do ano.
A virada do presidente Lula (PT) no 2º turno, por exemplo, causou um forte impacto nos mercados financeiros na segunda-feira (26). A liderança inicial de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno e a vantagem apontada nas pesquisas para o 2º turno geraram expectativas que agora estão sendo reavaliadas pelos investidores.
Oscilações e expectativas do mercado
As oscilações nos preços refletem as expectativas sobre crescimento econômico, inflação e juros, com a trajetória fiscal do Brasil sendo um fator crucial. Rogerio Freitas, chefe de investimentos do ASA, explica que “os preços refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros e, no Brasil, sobretudo a trajetória fiscal”.
O mercado financeiro tende a reagir intensamente em períodos eleitorais, tentando antecipar os efeitos que as propostas dos candidatos podem ter sobre a economia. O Ibovespa, o dólar e os juros futuros costumam apresentar reações acentuadas, especialmente em momentos de incerteza sobre as contas públicas.
Por exemplo, a recente notícia sobre o reajuste do Bolsa Família, anunciada a 17 dias das eleições, resultou na desvalorização do real e na queda da bolsa, com preocupações sobre o impacto do aumento do benefício nas contas públicas. Pesquisas que mostraram Flávio Bolsonaro à frente de Lula também influenciaram os mercados, levando a uma queda do dólar e uma alta do Ibovespa.
Volatilidade e estratégias de investimento
A volatilidade nos mercados não se limita apenas ao período eleitoral. O noticiário político, especialmente quando envolve medidas que podem afetar a inflação e a atividade econômica, também provoca reações. Alvaro Maia, banker da StoneX, observa que “há períodos em que, mesmo diante de escândalos políticos, outros fatores pesam mais”.
Para investidores, é aconselhável buscar segurança em momentos de volatilidade, como recorrer à renda fixa, que se torna atrativa em cenários de juros altos. Freitas sugere manter uma estratégia de longo prazo e diversificar os investimentos, enquanto Maia recomenda adequar a carteira ao perfil de risco de cada investidor.
Essas estratégias ajudam a mitigar riscos e a evitar decisões impulsivas em momentos de queda, destacando a importância de uma reserva de fácil acesso para não precisar vender ativos em períodos desfavoráveis.
Fonte original: g1 Economia