As negociações do Tesouro Direto foram suspensas nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado no dia anterior. O Tesouro informou que a interrupção se deve à alta volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos.
Impacto nas negociações
No mesmo período, a B3 também acionou o “circuit breaker”, interrompendo as negociações na bolsa. O Tesouro Direto está “fechado para negociação devido à alta volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos nesta manhã”, conforme comunicado oficial. A expectativa é que as operações sejam normalizadas ao longo do dia, enquanto o Tesouro Reserva, que não possui marcação a mercado, segue funcionando normalmente.
O economista-chefe da Nomos Investimentos, Beto Saadia, destacou que a suspensão das negociações no Tesouro Direto não segue regras fixas, mas é uma decisão do próprio Tesouro, visando proteger os investidores de operar a preços defasados. “O mercado não estava esperando e está se ajustando”, afirmou Saadia.
O resultado das eleições, que trouxe Lula para um quarto mandato, surpreendeu investidores e contrariou as expectativas que apontavam uma vitória para Flávio Bolsonaro (PL). Essa reeleição impacta diretamente as percepções de risco associadas aos papéis do Tesouro Direto, especialmente nos vencimentos mais longos.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, observou que a forte pressão no mercado é resultado do aumento dos prêmios de risco, em meio à incerteza sobre a política fiscal e o impacto cambial na inflação. Ele também mencionou que economistas discutem a possibilidade de o Banco Central interromper o ciclo de cortes da Selic, tornando incerta a continuidade das reduções em dezembro.
Fonte original: Valor Investe