O agronegócio brasileiro se prepara para 2027 com salários que podem atingir até R$ 60 mil mensais para gerentes agrícolas em grandes empresas. No entanto, um estudo da consultoria Michael Page revela que 56% das empresas do setor não planejam conceder aumentos além dos obrigatórios, o maior percentual entre os 15 segmentos analisados.
Expectativas e Desafios no Setor
O Guia Salarial 2027, divulgado em 20 de outubro, entrevistou 5.762 profissionais e 1.955 empresas, mostrando que a otimização de estruturas e equipes é uma prioridade para 55% dos empregadores. Stephano Dedini, diretor executivo da Michael Page Brasil, destaca que “a qualidade da gestão ganha ainda mais peso” em tempos de restrições orçamentárias.
O levantamento também aponta que o custo do capital influencia as decisões de investimento no agronegócio, afetando desde a produção até as atividades comerciais. As empresas buscam profissionais que consigam administrar variáveis como produtividade e custos operacionais, enquanto as contratações para funções operacionais estão em menor movimento.
Salários e Influência da Liderança
Os salários variam conforme a função e o porte da empresa. O teto salarial para gerentes agrícolas é de R$ 60 mil, enquanto gerentes industriais podem receber até R$ 58 mil. As áreas de vendas e marketing são as mais demandadas, seguidas por funções gerenciais.
Embora o salário seja um fator importante, 94% dos profissionais afirmam que a relação com o gestor impacta suas decisões de carreira. A pesquisa revela que apenas 2% das empresas consideram a liderança inspiracional como principal estratégia de retenção, enquanto 29% priorizam a cultura organizacional.
A pesquisa também indica que a percepção sobre a importância da liderança pode mudar nos próximos 12 meses, com 17% das empresas acreditando que o tema ganhará relevância. Dedini observa que “a experiência do profissional é construída na relação com quem define prioridades” e que a estrutura geográfica do agronegócio amplifica a influência dos gestores locais.
Além disso, a adoção de tecnologias como inteligência artificial e automação está mudando as competências exigidas no setor. Apesar de 95% dos profissionais verem benefícios na IA, apenas 15% das empresas oferecem acesso amplo a essas ferramentas, e apenas 9% consideram o conhecimento em IA um requisito importante para contratação.
O estudo evidencia a discrepância entre a demanda por habilidades tecnológicas e a realidade das políticas de contratação e remuneração, sugerindo que as empresas precisam alinhar suas estratégias de gestão de pessoas com as novas exigências do mercado.
Fonte original: Forbes Brasil