A economia global tem mostrado uma resiliência notável, mesmo diante do choque energético mais severo em décadas, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). No relatório mais recente, o FMI manteve sua previsão de crescimento global em 3,1% para este ano, um número inferior aos 3,5% projetados para 2025, mas ainda considerado sólido em meio à turbulência no mercado de energia causada pela guerra no Oriente Médio.
Projeções de crescimento e inflação
O FMI prevê que a economia dos Estados Unidos cresça 2,3% em 2026 e 2027, sustentada pelo consumo privado, política fiscal e investimentos em tecnologia. As projeções para a zona do euro e o Reino Unido também permanecem estáveis. A inflação global deve atingir 4,7% este ano, um patamar semelhante ao previsto em julho, mas superior aos 4,1% do ano anterior.
Entretanto, o FMI alerta que, se a guerra se prolongar, os preços das commodities e os custos de financiamento poderão aumentar, resultando em um crescimento global menor e inflação mais alta. Silvana Tenreyro, economista-chefe do FMI, destacou que “a economia global poderá, em breve, testar os limites de sua resiliência”.
Desafios fiscais e monetários
Os custos de financiamento nas economias avançadas aumentaram significativamente, com a dívida pública atingindo níveis recordes. O FMI prevê que, caso a credibilidade fiscal e monetária se perca, o crescimento global poderá ser reduzido em até 0,5 ponto percentual em 2027. A alta nos preços de energia também deve impactar o poder de compra das famílias e os investimentos empresariais.
Para evitar um cenário adverso, o FMI recomenda que os níveis de dívida pública sejam colocados em uma trajetória sustentável. As autoridades econômicas devem agir para conter os riscos associados à inflação e à fragilidade financeira, além de garantir espaço fiscal para enfrentar futuros choques.
A política monetária deve se concentrar na estabilização dos preços, com taxas de juros suficientemente restritivas para controlar a inflação. O FMI observa que os mercados já se preparam para novos aumentos de juros, especialmente com o petróleo se aproximando de US$ 100 o barril.
Embora o investimento em inteligência artificial tenha protegido partes da economia global, muitos países ainda enfrentam os altos custos do conflito no Oriente Médio. O FMI aponta que 32 economias representam 95% do crescimento global, uma diminuição em relação a 54 economias na edição anterior do relatório.
Por fim, o FMI prevê uma desaceleração para o próximo ano, mas elevou ligeiramente sua estimativa de inflação para 4,1%. A combinação de condições financeiras favoráveis e investimentos em tecnologia pode sustentar a atividade econômica, mas a inflação continua sendo uma preocupação que merece atenção.
Fonte original: Valor Econômico