MadeiraMadeira amplia logística e cresce em meio a crise do setor de móveis

A MadeiraMadeira, varejista de móveis e itens para o lar, anunciou a abertura de novos centros de distribuição em Salvador, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto nos últimos 12 meses. A empresa também iniciou a automação de unidades em Minas Gerais e Jundiaí, utilizando recursos gerados pela própria operação.

A expansão ocorre em um cenário desafiador para o mercado de móveis, que enfrenta queda nas vendas devido ao crédito restrito e ao endividamento das famílias. Apesar disso, a MadeiraMadeira apresenta crescimento de dois dígitos. A empresa opera no modelo de dropshipping, onde os produtos permanecem com os fornecedores até a venda, e utiliza sua frota própria para a maior parte das entregas.

Resultados financeiros e modelo de negócios

Em julho, a MadeiraMadeira registrou a maior rentabilidade de sua história, conforme revelou o CFO, Júlio Alves. O faturamento da empresa mais que dobrou entre 2021 e 2025, com um crescimento aproximado de 110% desde a rodada de investimento de US$ 190 milhões que a avaliou como unicórnio.

O aporte, realizado em janeiro de 2021, foi co-liderado pelo SoftBank Latin America Fund e pela gestora Dynamo. Alves destacou que a operação tem gerado lucro líquido recorrente nos últimos 12 meses e não consome caixa, atribuindo esse desempenho ao modelo asset light, que permite maior geração de caixa à medida que a empresa cresce.

Eficiência logística e estratégias de mercado

A MadeiraMadeira concentra esforços em eficiência logística, tendo aberto três centros de distribuição até o final de 2025, incluindo o de Salvador. A empresa realiza mais de 85% de sua operação logística internamente, o que possibilita maior controle sobre prazos e qualidade de entrega. O frete representa de 15% a 20% do custo final de um móvel, variando conforme a região.

Com a crise no setor de móveis, a MadeiraMadeira tem se beneficiado da conquista de clientes de concorrentes e da atração de novos compradores, impulsionada pela combinação de ofertas digitais e pontos físicos. Para contornar a dependência do parcelamento, a varejista incentiva pagamentos à vista com descontos, mantendo assim contas a receber mais curtas e operando com um ciclo financeiro negativo.

Com uma posição financeira sólida e sem dívidas, a empresa não planeja novos aportes para 2026 e 2027. O SoftBank e a Dynamo continuam com participação significativa no capital e assentos no conselho, reforçando a confiança na operação da MadeiraMadeira.

Fonte original: Bloomberg Línea

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