El Niño forte deve aumentar inflação e preços de alimentos e energia no Brasil

O fenômeno climático El Niño está se intensificando e deve alcançar seu ápice entre o final de 2026 e o início de 2027, o que pode pressionar a inflação no Brasil. Com 83% de probabilidade de se tornar muito forte, o evento desregula as chuvas, prejudica as safras e encarece a geração de energia.

Os alimentos frescos, como frutas e legumes, são os primeiros a sofrer com o aumento de preços devido ao curto ciclo de vida e à rápida deterioração. Segundo o coordenador do FGV Ibre, a questão não se limita à falta de água, mas também à desorganização na distribuição das chuvas. No Sul, o excesso de umidade e vendavais danificam as plantações, reduzindo a oferta de itens básicos, como tomate e cebola, que já apresentaram altas significativas em setembro.

Impacto nos preços das carnes e da energia

O aumento nos preços das carnes deve ocorrer gradualmente por dois motivos principais. Primeiro, a seca severa prejudica as pastagens, fazendo com que o gado demore mais para engordar e necessite de ração mais cara. Além disso, o El Niño afeta a produção de grãos como soja e milho, essenciais na alimentação de aves e suínos, o que pode elevar os custos e, consequentemente, os preços ao consumidor.

A conta de luz também deve ser impactada, uma vez que o Brasil depende fortemente das hidrelétricas. Com o El Niño provocando secas em bacias importantes, os níveis dos reservatórios caem, forçando o uso de usinas térmicas, que operam com combustíveis mais caros. Isso resulta em bandeiras tarifárias, aumentando a fatura mensal de energia. Em setembro, a energia residencial já havia subido quase 8% após o fim de bônus por períodos chuvosos.

Além disso, a seca nos rios da Amazônia gera um gargalo logístico para as indústrias da Zona Franca de Manaus. Com o nível das águas baixo, o transporte fluvial se torna complicado, obrigando as empresas a optarem pelo transporte aéreo, que é significativamente mais caro. Esse aumento nos custos de frete acaba refletindo nos preços de produtos eletrônicos, como celulares e notebooks, nas prateleiras do Sul e Sudeste do país.

Fonte original: Gazeta do Povo

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