FMI ajusta projeções para economia global e destaca impacto da IA

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou uma leve elevação em sua projeção para a economia global em 2026, agora estimando um crescimento de 3,1%, em comparação com a previsão anterior de 3,0% divulgada em julho. Para 2025, a expectativa é de um crescimento de 3,5%.

Cenário econômico e inflação

No relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, o FMI prevê que a economia dos Estados Unidos mantenha um crescimento estável de 2,3% em 2026 e 2027. Além disso, a entidade espera um aumento significativo nos preços do petróleo, que devem subir quase 41% neste ano, atingindo uma média de US$ 96 por barril, o que pode elevar a inflação global para 4,7% em 2026, em comparação com 4,1% no ano anterior.

A atualização das projeções foi divulgada durante os encontros anuais do FMI e do Banco Mundial, que ocorrem em Bangkok, reunindo líderes econômicos de todo o mundo. O relatório destaca que o avanço da inteligência artificial (IA) está ajudando a mitigar os efeitos negativos da alta nos preços de energia.

Desigualdade nos benefícios da IA

Apesar dos benefícios trazidos pela IA, o FMI alerta que esses ganhos não são distribuídos de maneira equitativa. Estados Unidos e China, por exemplo, representam mais de 75% da demanda global por semicondutores e equipamentos relacionados à IA. “As perspectivas são altamente desiguais”, afirmou Silvana Tenreyro, diretora do departamento de pesquisa do FMI.

O relatório também indica que o crescimento econômico está se concentrando em um número reduzido de países. Atualmente, 32 nações são responsáveis por 95% da expansão econômica global, uma queda em relação a 54 países em abril deste ano. “O crescimento está sendo redistribuído entre os países de acordo com sua exposição ao choque de oferta provocado pela guerra e à força da demanda relacionada à inteligência artificial”, destaca o documento.

Durante os encontros em Bangkok, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, comentou sobre os impactos da IA no mercado de trabalho, descrevendo a situação como “um tsunami em câmera lenta”. Ela estima que cerca de 40% dos empregos no mundo podem ser afetados, seja por meio de aprimoramento, rebaixamento ou eliminação de postos de trabalho.

A dívida pública continua a ser uma preocupação central, com Georgieva enfatizando a necessidade de países, tanto ricos quanto pobres, melhorarem suas finanças públicas. O aumento do endividamento representa um risco crescente para a estabilidade financeira global.

As economias avançadas devem crescer 2,1% neste ano, ligeiramente acima dos 2,0% registrados em 2025, mas com uma previsão de desaceleração para 1,9% no próximo ano. O relatório considera que os embarques de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz serão normalizados até março e que o crescimento da demanda por IA pode perder parte de seu ímpeto.

Enquanto isso, as economias em desenvolvimento e os mercados emergentes, que são mais vulneráveis aos altos preços de energia, devem ver uma desaceleração para 3,7% neste ano, em comparação com 4,5% em 2025. Para 2027, a projeção é de recuperação, com um crescimento de 4,4%.

As perspectivas variam por região, com os 21 países da zona do euro prevendo um crescimento de 1,1% neste ano e 1,2% em 2027. A China, por sua vez, deve crescer 4,5% em 2026, abaixo dos 5% registrados em 2025, enquanto a Índia continua a ser a economia de crescimento mais acelerado, com uma expansão projetada de 7%.

Fonte original: g1 Economia

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