A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, se tornou o centro de uma polêmica nas eleições brasileiras de 2026, sendo acusada pelo PT e por entidades civis de favorecer a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa arrecadou R$ 282,4 milhões desde o início da campanha em agosto até o dia 14 de outubro.
Além da Meta, a DLocal, uma empresa de pagamentos, ficou em segundo lugar com R$ 99 milhões, enquanto a Delta3 Comunicação, que trabalha para Lula (PT), arrecadou R$ 31 milhões. Flávio Bolsonaro lidera os repasses ao Facebook, com 13 pagamentos totalizando R$ 7,5 milhões, enquanto Lula declarou R$ 2,6 milhões em despesas.
Impulsionamento de Conteúdo
O impulsionamento é um serviço que permite aos candidatos pagar para que suas publicações sejam vistas por um público maior nas redes sociais. Flávio, por exemplo, investiu entre R$ 60 mil e R$ 70 mil para promover um vídeo em que o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pede votos para ele. A análise dos dados mostra que 26% do público que viu a propaganda era de homens entre 25 e 44 anos.
Por outro lado, Lula gastou entre R$ 15 mil e R$ 20 mil para impulsionar um vídeo que compara imagens de crianças, um tema que repercutiu nas redes sociais. A distribuição do público que recebeu a mensagem de Lula também incluiu 26% de homens na mesma faixa etária que Flávio.
Resultados das Campanhas
Uma análise das dez candidaturas que mais investiram na Meta revela que altos gastos não garantem vitória. Flávio e Lula estão no segundo turno, enquanto dos outros oito candidatos, três foram eleitos e cinco não conseguiram se eleger. O ex-ministro Fernando Haddad, que gastou R$ 2,5 milhões, foi derrotado por Tarcísio em São Paulo.
Outros candidatos, como Ciro Gomes e Aécio Neves, também não conseguiram se eleger, apesar dos investimentos significativos em impulsionamento. O deputado federal reeleito Célio Studart e Lindbergh Farias, que também gastaram valores altos, conseguiram se eleger.
A Meta enfrenta críticas sobre a falta de transparência em seus algoritmos, que não permitem entender como os conteúdos são distribuídos. O PT acusou a empresa de retirar conteúdos de sua campanha sem explicação, o que levou o Ministério Público Federal a abrir uma investigação.
Além disso, a ONG Sleeping Giants Brasil apontou que o algoritmo da Meta pode ter favorecido perfis bolsonaristas, enquanto uma reportagem da Folha de S. Paulo revelou que funcionários da Meta estavam cientes de restrições que prejudicaram a campanha de Lula. A Meta, por sua vez, afirmou que não está interferindo nas eleições e que os problemas relatados foram “incidentes técnicos”.
Fonte original: Valor Econômico