No mês em que se comemora o Dia Mundial da Alimentação, o Brasil enfrenta um dilema preocupante. O relatório Sofi 2026, da ONU, revela que o país está fora do Mapa da Fome, com menos de 2,5% da população em subnutrição. No entanto, a qualidade e o custo dos alimentos estão ameaçados por mudanças climáticas.
O Banco Central já considera o impacto de um El Niño forte em suas projeções econômicas, prevendo efeitos sobre os preços dos alimentos. O Banco Mundial também alertou que fenômenos climáticos intensos podem elevar os preços globais das commodities alimentícias.
Impactos da inflação climática
As emergências climáticas desorganizam o setor produtivo, resultando em perdas de produção e dificuldades logísticas, afetando especialmente alimentos perecíveis. A inflação do IPCA de setembro já mostra os primeiros efeitos do El Niño, com um aumento de 0,96% no custo da alimentação, impulsionado por produtos como tomate e batata.
Com o aumento dos preços dos alimentos frescos, a população de baixa renda tende a optar por alternativas menos saudáveis, como os ultraprocessados, que são mais acessíveis, mas pobres em nutrientes. Isso contribui para o aumento da obesidade, que passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024 no Brasil.
O consumo de alimentos ultraprocessados também cresceu, representando 23% das calorias consumidas em 2024, em comparação a cerca de 10% nos anos 1980. A FAO destaca a necessidade de inovação para garantir a nutrição no futuro, o que deve ser refletido nas políticas públicas.
Assegurar o acesso a alimentos saudáveis é essencial para a estabilidade econômica e a saúde pública. O Brasil deve tratar a segurança alimentar como uma política de Estado, imune a mudanças políticas, para proteger suas conquistas sociais diante das incertezas climáticas e econômicas.
Fonte original: Poder360