Super-Terras podem ser mais habitáveis que a Terra, aponta pesquisa

A hipótese de que a Terra pode não ser o melhor lugar do universo para a vida ganhou destaque entre astrônomos, que agora investigam os chamados mundos super-habitáveis. Esses planetas, que poderiam ter condições mais favoráveis para sustentar ecossistemas diversos, orbitam estrelas anãs do tipo K.

Características das super-Terras

Pesquisadores como René Heller e John Armstrong propuseram, em 2014, que a busca por vida extraterrestre deve ir além de planetas semelhantes à Terra. Heller questionou: “Por que a Terra deveria ser uma referência?” A proposta sugere que uma super-Terra teria entre 20% e 30% mais diâmetro e o dobro da massa da Terra, o que resultaria em uma gravidade mais intensa. Isso ajudaria a reter uma atmosfera mais espessa e a gerar um campo magnético mais forte, oferecendo proteção contra radiação cósmica.

Além disso, o relevo desses planetas poderia favorecer a diversidade biológica, com a presença de mares rasos, lagos e recifes, criando habitats propícios para ecossistemas complexos.

Estrelas anãs K e suas vantagens

As estrelas anãs K, mais frias que o Sol, consomem hidrogênio lentamente e podem permanecer estáveis por bilhões de anos, proporcionando mais tempo para a evolução da vida. Em comparação, a Terra enfrentará limitações em cerca de 500 milhões de anos, quando o aumento do brilho solar tornará o planeta quente demais para sustentar formas complexas de vida.

Um experimento da astrobióloga Iva Vilović indicou que plantas, como agriões, cresceram mais rapidamente sob luz simulando a de uma anã K. Isso sugere que a fotossíntese pode ser eficiente sob esse tipo de iluminação, embora não prove a existência de vegetação extraterrestre.

Vilović destacou a importância da luz das anãs K na busca por vida extraterrestre, afirmando que deveria ser priorizada nas investigações.

Futuras missões e descobertas

A missão Plato, da Agência Espacial Europeia, prevista para 2027, tem como objetivo identificar planetas potencialmente habitáveis, incluindo super-Terras em órbita de estrelas do tipo K. Heller acredita que a missão poderá encontrar uma dúzia desses mundos, embora os detalhes sobre eles ainda sejam limitados.

Após a identificação, o telescópio James Webb e o Telescópio Extremamente Grande, em construção no Chile, serão fundamentais para estudar as atmosferas desses planetas. A NASA também planeja o Observatório de Mundos Habitáveis para a década de 2040, que poderá aprofundar a busca por sinais de vida.

Por enquanto, a existência de planetas mais habitáveis que a Terra permanece uma hipótese. A busca e o estudo de suas atmosferas serão cruciais para entender se a vida pode existir em condições mais favoráveis em outros lugares da galáxia.

Fonte original: Olhar Digital

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