O skincare coreano, conhecido como K-beauty, tem conquistado cada vez mais espaço nas redes sociais e se tornado parte das rotinas de beleza de celebridades e influenciadores. Produtos como protetores solares leves, máscaras faciais e essências, além de ingredientes como arroz e centella asiática, estão despertando a curiosidade dos consumidores brasileiros.
A popularização da K-beauty
A indústria de beleza sul-coreana não é uma novidade, mas atualmente vive um novo auge no Brasil. O interesse por esses produtos deixou de ser restrito a um público específico e se expandiu, impulsionado pela rapidez com que as redes sociais transformam itens em desejos de consumo. Essa mudança é comparável ao que ocorreu com os perfumes árabes, que ganharam visibilidade e atraíram consumidores que antes não conheciam essas fragrâncias.
Lucas Congo, especialista em comércio exterior, destaca que as redes sociais estão mudando a forma como as tendências internacionais chegam ao Brasil. “Hoje, uma tendência atravessa fronteiras em uma velocidade que não existia há alguns anos”, afirma. Os consumidores descobrem produtos nas redes sociais antes mesmo de estarem disponíveis no mercado brasileiro, o que leva as marcas a buscarem formas de atender essa demanda crescente.
Transformação nas rotinas de beleza
Tradicionalmente, a K-beauty era associada a rotinas complexas de cuidados com a pele, mas essa lógica mudou com a popularização das redes sociais. Plataformas como TikTok e Instagram têm ajudado a transformar produtos específicos em fenômenos, permitindo que os consumidores se interessem por itens individuais, como um protetor solar ou um sérum, sem necessariamente seguir uma rotina completa.
Componentes como centella asiática, mucina de caracol e extratos de arroz estão em alta, e o PDRN também tem ganhado destaque nas conversas sobre skincare. Essa mudança de comportamento é percebida tanto pelos consumidores quanto pelo mercado, que agora observa produtos ganhando atenção em diferentes países antes mesmo de as marcas terem uma presença consolidada.
A força da K-beauty também está ligada à crescente popularidade da cultura sul-coreana, que se expandiu através da música, cinema e gastronomia. O Brasil, que antes associava inovações em beleza principalmente a países como Estados Unidos e França, agora se abre para novas origens, incluindo mercados asiáticos e do Oriente Médio.
Entretanto, a popularidade nas redes sociais não garante que um produto estrangeiro chegue rapidamente às prateleiras brasileiras. O processo de importação envolve regulamentações, documentação, tributação e logística, que podem atrasar a disponibilidade dos itens. Congo ressalta que, embora a demanda possa surgir rapidamente, a operação de importação precisa ser cuidadosamente planejada para garantir que a tendência se sustente no mercado.
Assim, a trajetória do skincare coreano no Brasil reflete uma mudança significativa no comportamento do consumidor, que agora busca e valoriza produtos de diferentes origens, ampliando seu repertório de beleza e abrindo espaço para novas tendências.
Fonte original: O GLOBO