O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, destacou que, apesar dos avanços na agenda fiscal sob a liderança de Fernando Haddad, o governo precisa ir além para estabilizar a dívida pública. Em entrevista ao Money Times, Salto enfatizou a importância de um ajuste mais profundo, especialmente no que diz respeito às despesas.
A necessidade de um ajuste nas despesas
Salto argumenta que a prioridade deve ser o controle do crescimento das despesas primárias, que não incluem o pagamento de juros. Ele observou que essas despesas estão crescendo a um ritmo superior ao dobro do PIB. Além disso, o economista sugere que o ajuste deve incluir a redução de gastos tributários, como isenções e tratamentos fiscais que impactam a arrecadação.
Em uma proposta elaborada em conjunto com o economista Josué Pellegrini, Salto sugere um conjunto de medidas que visam elevar gradualmente o resultado primário até alcançar um superávit de 2% do PIB em quatro anos. Ele acredita que, com juros menores e uma melhora nas contas públicas, seria possível estabilizar a relação entre dívida e PIB.
Propostas para um arcabouço fiscal mais restritivo
Salto defende a manutenção da estrutura atual do arcabouço fiscal, que combina metas de resultado primário com limites para o crescimento dos gastos. No entanto, ele propõe que o limite máximo de crescimento real das despesas seja reduzido de 2,5% para cerca de 1%. “Isso pode ser por tempo definido, não para sempre, mas é essencial para que se possam alcançar os objetivos”, afirmou.
Além disso, ele sugere a necessidade de uma solução estrutural para os precatórios, que são pagamentos devidos pelo poder público após decisões judiciais. Salto acredita que o crescimento desses pagamentos deve ser investigado em um esforço conjunto dos três Poderes.
O programa elaborado por Salto e Pellegrini inclui uma série de mudanças nas despesas públicas e benefícios tributários, como cortes em emendas parlamentares, limitação de correções nos pisos de saúde e educação, e reformas nas aposentadorias e pensões. O objetivo é criar um plano coeso e politicamente viável que permita alcançar um superávit primário de 0,3% a 0,4% do PIB até 2027.
Salto enfatiza a importância de distribuir os efeitos do ajuste ao longo de quatro anos para evitar impactos recessivos. Ele sugere que as medidas sejam aprovadas desde o início, o que ajudaria a estabilizar a dívida pública e a reduzir a necessidade de financiamento do governo.
Fonte original: Money Times