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JPMorgan aumenta aposta no real e projeta dólar entre R$ 4,70 e R$ 4,80

O JPMorgan decidiu aumentar sua exposição ao mercado brasileiro após a reprecificação dos ativos que ocorreu após o primeiro turno das eleições. O banco passou a considerar o real e os juros brasileiros como overweight, ou seja, com uma recomendação de compra, prevendo que o dólar pode se aproximar da faixa de R$ 4,70 a R$ 4,80, caso o cenário político se mantenha favorável.

Expectativas políticas e econômicas

O banco observou que a reação do mercado foi rápida e, em alguns casos, mais intensa do que o esperado. No entanto, a surpresa nas eleições diminuiu a incerteza, colocando Flávio Bolsonaro como o favorito aparente para o segundo turno, que ocorrerá em 25 de outubro. A atuação de partidos de direita e centro-direita no Congresso é vista como um fator que pode aumentar a governabilidade e facilitar a aprovação de reformas que beneficiem o mercado.

Com essa análise, o JPMorgan acredita que o real pode se destacar como uma opção de carry trade na América Latina, devido ao diferencial elevado de juros do Brasil. A expectativa é que, se Flávio Bolsonaro consolidar sua vantagem nas pesquisas, o real poderá valorizar ainda mais.

Impacto das taxas de juros

O banco também destacou que, mesmo com a queda das taxas de juros, o Brasil continua a ter uma das maiores taxas entre as economias emergentes. A previsão do JPMorgan para a Selic é de 12,25% ao final de 2027, alinhada com as expectativas do mercado. Embora existam riscos de baixa para essa projeção, o diferencial de juros em relação a outras economias emergentes deve manter a atratividade do real.

A valorização do real pode ter um efeito positivo sobre a inflação, permitindo que o Banco Central adote uma postura mais acomodatícia. O JPMorgan argumenta que a força do real e seus efeitos sobre a inflação são benéficos para a política monetária e podem facilitar uma redução gradual na posição de swaps cambiais.

No mercado de juros, o banco reconheceu que a velocidade da reação foi surpreendente, com uma queda nas taxas que superou as expectativas. A consolidação fiscal é vista como a âncora macroeconômica para a continuidade da queda das taxas, e a melhora nas expectativas fiscais já contribuiu para o rali observado.

O JPMorgan também comparou a situação do Brasil com a da Colômbia, onde o mercado não retirou todo o prêmio de risco imediatamente após as eleições. No entanto, a queda das taxas no Brasil foi mais acentuada, o que pode indicar um ciclo de flexibilização monetária mais profundo.

Embora o banco não espere uma flexibilização rápida, a expectativa é que a redução dos juros ocorra de maneira gradual, criando um ciclo favorável entre fiscal, inflação e juros, onde melhores expectativas fiscais podem fortalecer o real e, consequentemente, permitir uma redução na Selic.

Fonte original: InfoMoney

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