A Justiça de São Paulo homologou, nesta quarta-feira (7), o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), conforme comunicado da empresa. O acordo permitirá a reorganização de R$ 4,568 bilhões em dívidas, com a adesão de credores que representam 57,49% do total dos débitos incluídos no plano, superando o mínimo exigido pela legislação.
Detalhes do plano de recuperação
O GPA havia solicitado a recuperação em março, no mesmo dia em que anunciou um acordo com seus principais credores. A homologação pela Justiça é um passo necessário para que o plano tenha validade legal. O mecanismo de recuperação extrajudicial é utilizado por empresas para renegociar dívidas diretamente com credores, evitando o processo de recuperação judicial.
O plano do GPA exclui dívidas trabalhistas, impostos e obrigações cotidianas, como pagamentos a fornecedores e aluguéis, garantindo que as operações das lojas continuem normais. A companhia afirmou que está em dia com suas obrigações junto a esses parceiros.
Formas de pagamento das dívidas
Os credores do GPA tiveram três opções de pagamento. A maioria, 88,40%, optou pela Opção A, que não oferece desconto na dívida, mas inclui participação em um aporte de R$ 200 milhões. Parte desse valor será convertida em títulos com juros e outra parte em ações do GPA entre 2027 e 2031. Outros 8,34% escolheram a Opção B, que prevê um prazo maior para pagamento, com vencimento em 2036. Por fim, 3,26% dos credores foram incluídos na Opção C, que oferece um desconto de 70% na dívida, com pagamentos iniciando em 2032 e quitação prevista para 2036.
Com a reestruturação, o prazo médio para pagamento das dívidas que não serão convertidas em ações aumentará de 2,1 anos para 6,4 anos. A dívida terá juros atrelados ao CDI, mais 0,5 ponto percentual ao ano, reduzindo a pressão sobre o caixa da empresa no curto prazo.
Contexto da crise do GPA
O Grupo Pão de Açúcar enfrenta prejuízos anuais desde 2022, devido a fatores como a queda no consumo, juros elevados e gastos com mudanças na gestão. A empresa também reportou um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão no final do ano passado, principalmente por conta de empréstimos e títulos que vencem em 2026.
Apesar de melhorias nos resultados, o GPA continua a registrar prejuízos. A companhia já implementou medidas para reduzir riscos operacionais, como negociações com credores e a conversão de créditos tributários em dinheiro para reforçar o caixa.
Recentemente, o Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista do GPA, com 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino detém 22,5%. Mudanças na liderança também ocorreram, com André Coelho Diniz assumindo a presidência do conselho de administração e Alexandre de Jesus Santoro sendo eleito diretor-presidente.
Em 2025, o GPA registrou um prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões nas operações continuadas, com dívida líquida de R$ 2 bilhões e dívida bruta de R$ 4 bilhões. As ações da empresa, negociadas sob o código PCAR3, acumularam queda de 21,12% na bolsa nos últimos 12 meses.
Fonte original: g1 Economia